A CRIANÇA, O BRINQUEDO E O BRINCAR

Estudos deixam claro que o  desenvolvimento infantil está diretamente ligado ao brincar,  importante processo de desenvolvimento  emocional e fonte de  aprendizagem.  Brincar é uma atividade na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos. Ao brincar, a criança pensa, reflete e organiza-se internamente para  aprender aquilo que ela quer, precisa, necessita, está no seu momento de aprender; isso pode não ter a ver com o que o pai, o professor ou o fabricante de brinquedos propõem que ela aprenda. O brinquedo cria na criança uma nova forma de desejos. Ensina-a a desejar, relacionando seus desejos a um “eu” fictício, ao seu papel no jogo e suas regras. Dessa maneira, as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moral. Portanto, a brincadeira auxilia o desenvolvimento da criança de forma tão intensa e marcante que a criança leva todo o conhecimento adquirido nesta fase para o resto de sua vida. Pode-se afirmar que brincar é nossa primeira forma de cultura. A criança que brinca, está não só explorando o mundo ao seu redor, mas também, comunicando sentimentos, ideias, fantasias. Se outrora a criança era vista como um ser marcado pela ingenuidade, ignorância e indolência, cujo desenvolvimento dependia estritamente do controle adulto, através da disciplina e da moralização, hoje ela assume o lugar de protagonista, alvo privilegiado da sociedade de consumo.  Se outrora a família e a escola eram instituições privilegiadas para a socialização das crianças, hoje elas contam com o aporte da mídia eletrônica, com a qual interagem diariamente.  O que a criança vê, assiste , joga oferece conteúdo para suas brincadeiras, um lugar de construção de culturas fundado nas interações sociais entre as crianças. O brincar contém o mundo e ao mesmo tempo, contribui para expressá-lo, pensá-lo e recriá-lo. Essas transformações trazem como pano de fundo as mudanças econômicas e culturais do mundo capitalista que migra de uma lógica centrada na produção e no trabalho do adulto, para a lógica do consumo, em que a criança na condição de consumidora, já está inserida mesmo antes de nascer. O mercado está cada vez mais atento ao público infantil, grupo que tem por linguagem singular a brincadeira, onde o real e o imaginário/fictício se entrelaçam. Brincando, jogando e criando narrativas, as crianças estão falando de si próprias, de seus medos, coragem, angústias, sonhos e ideais. Estão falando também de nós, adultos, de nossas expectativas e projetos, de nossa presença e silêncio, de nossas certezas e dúvidas. A cultura lúdica evoluiu, devido à chegada de novos brinquedos. Dentro desta evolução chegaram os jogos eletrônicos  e as brincadeiras  desenvolvidas nas ruas em coletividade, praticadas por adultos e crianças e geralmente, transmitidas de geração para geração, como: roda, ciranda, amarelinha, pular elástico, cabo de guerra, passa anel, cabra-cega, boca-de-forno, o  pique e suas variações estão sendo deixadas de lado, ou seja, sendo substituídas.. E com o decorrer dos dias, a variedade dos brinquedos se torna maior. Exemplo disso, pode ser comparado às crianças de gerações passadas que não estavam expostas a tantas mudanças que levam as crianças de hoje a uma espécie de insaciedade e insatisfação permanentes, pois fica cada vez mais difícil acompanhar o ritmo do brinquedo ou do jogo que está na moda, tal sua agilidade, versatilidade e fugacidade. Mesmo vivendo imersos em novas tecnologias e tendo dificuldades de encontrar um espaço para brincar, é necessário reconhecer que as brincadeiras em coletivo são consideradas de grande valor para o desenvolvimento da interação social da criança. As novas tecnologias, as novas formas de se comunicar através de brincadeiras com jogos eletrônicos e as comunicações online via internet são novos meios de comunicação geniais para a evolução humana. Mas cabe reconhecer que assim como vem ampliando a capacidade de interação social de forma virtual, vem também reduzindo essas capacidades presencialmente. Brincar é um meio de aprender a viver e de proclamar a vida. Um direito que deve ser assegurado a todos os cidadãos, ao longo da vida, enquanto restar dentro do homem a criança que ele foi um dia, e enquanto a vida nele pulsar. Quem vive brinca!!

Nilfa Prado
Psicopedagoga e Empresária